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Um novo olhar sobre o trabalho: por que fazemos o que fazemos?

17 de dez. de 2021
4 min de leitura

Atualizado: 22 de dez. de 2021

 

É o que Mário Sérgio Cortella nos responde com muita clareza no seu livro que leva esse mesmo título do artigo. E ele completa: “Quem começa o dia de trabalho com um nível de tristeza precisa reinventar as razões pelas quais faz aquilo que faz.” 




“Estou me sentindo perdido(a) e não sei como encontrar prazer nas coisas que faço.”

“Não me sinto produtivo(a) e não me reconheço no que faço.”

“Saio para trabalhar e parece que estou indo cumprir sentença”


Você já se pegou pensando assim? Talvez não tenha verbalizado (até por vergonha), mas a mensagem ficou na mente, no diálogo interno, com aquela voz de acusação e dúvida. Não há nada de errado no cansaço e desânimo, desde que não sejam essas as sensações imperantes, presentes na maior parte do tempo.


Eu quero contar que já vivi isso, grande ansiedade e insegurança em relação ao trabalho e à minha própria competência. O desafio de sair deste estado/estágio foi gigante e igualmente gratificante. Nesse artigo quero te provocar para refletir sobre a sua atuação profissional x realização pessoal. 


A vida não se resume ao trabalho, mas ele é tão marcante que ultrapassa outras esferas do nosso viver. Quem nunca disse: “Já estou ótimo, posso voltar a trabalhar!” Até a noção de saúde está ligada à ideia de trabalho.  2021 está chegando ao fim e eu, como coach, tenho recebido grande demanda de pessoas insatisfeitas com o que vem realizando. Ou melhor, com a falta de realização percebida.  


A virada do ano sempre traz esperança e desejo de mudanças. O estresse bate e a gente se recusa a continuar com o que incomoda, prometendo, pra nós mesmos, grandes movimentos. E não devemos mesmo nos acostumar ao que está ruim. O problema é que, com uma visão míope, na maioria das vezes, colocamos nossas insatisfações no externo: na empresa, na marca empregadora, no produto/serviço, na liderança...


A verdade é que nem sempre o obstáculo se encontra do lado de fora. E sendo assim, a solução também não estará na busca de um novo emprego. Já pensou que o X da questão pode estar na falta de entendimento daquilo que você faz, da natureza do seu trabalho, do sentido que você dá à ele. Sabia que é possível ressignficá-lo?


Pergunte-se: Qual a importância de fazer o que eu faço? Qual o resultado da minha ação transformadora? O que essa atividade laboral gera? Antes de pedir demissão, buscar um novo trabalho e sair empreendendo feito louco(a), reflita sobre os 5 pontos vitais abaixo. Até porque, se não ficar clara a SUA responsabilidade no processo de construção da SUA realidade, não haverá empresa boa para você no mundo. 


Pense:


1. Quem é você? Autoconhecimento significa conhecer-se para alinhar valores, ideias, talentos, habilidades, sonhos. Sem aderência entre perfil e função não há leveza. Sem leveza não há conforto. Sem conforto (não é comodidade) não há entrega. Se você é expansivo(a) e criativo(a), terá necessidade de espaços democráticos, menos diretivos e pragmáticos.


Pergunta que não quer calar: existe convergência entre seus valores, essência e sua função/cultura da empresa que atua?


2. Trabalho passa por percepção autoral, isso significa deixar a sua “marca” nas atividades que realiza. Sentir que a sua história é necessária. Sem autoria não acontece o pertencimento. Sem pertencimento não há engajamento. Sem engajamento não há motivação. Questionamento importante: Você consegue perceber a sua relevância nas suas entregas? Consegue se ver no que você é bom e faz bem? O que te impede de ser considerado?


3. Antes de ser um profissional, você é um ser humano. Pondere sobre a sua vida pessoal. Será que a sua falta de contentamento no trabalho não tem a ver com sua falta de alegria com você mesmo(a)? Felicidade é precursora no processo de realização profissional, impactando na produtividade, criatividade e liderança. Reflita: O quanto, de 0 a 10, você considera a sua vida satisfatória, fora trabalho ok?


4. Ser competente no que faço significa que tenho as competências necessárias para me sentir autoconfiante. O trabalho também nos molda, nos desenvolve, mas isso é consequência. Primeiro preciso estar preparado(a), munido(a) de recursos, conhecimentos, skills e seguro da minha capacidade de exercer aquela função. O quanto você tem investido na sua capacitação? Percebe como isso se relaciona diretamente com a sua realização?


5. O propósito muda tudo. A palavra propósito, do latim, quer dizer ‘aquilo que coloco adiante’. O que você está colocando adiante? O que está enxergando logo ali? Nem sempre conseguimos trabalhar com o que amamos, as vezes acontece uma necessidade financeira maior e, nessa hora, pode surgir o peso da obrigação”. Ainda assim, por detrás deste trabalho que parece compulsório, existe o tal propósito. Se você enxergar esse trabalho como circunstancial, necessário naquele momento, e não como castigo, tudo ficará mais leve e com mais sentido. O emprego que você não ama hoje, pode ser apenas uma passagem até que se resolva os 4 itens anteriores e, aí sim, o seu talento encontrará/fará a oportunidade de trabalhar com o que mais deseja.


Enfim, somos seres de insatisfação. Há sempre um algo mais, uma necessidade diferente, um vazio que parece pedir para ser preenchido. E talvez esteja aí, nessa sensação de “tá faltando algo”, que esteja a nossa liberdade. Mantenha-se em movimento, inquieto, mas acima de tudo, lúcido sobre a sua responsabilidade em relação a sua satisfação na vida profissional. Caso contrário, você correrá o risco de passar a vida toda com as sensações que abriram esse artigo:


“Estou me sentindo perdido(a) e não sei como encontrar prazer nas coisas que faço”

“Não me sinto produtivo(a) e não me reconheço no que faço.”

“Saio para trabalhar e parece que estou indo cumprir sentença”

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